Encontro de Juventude de Terreiro (RMC)

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Somos Jovens, com idade entre 15 e 35 anos, de Comunidades Tradicionais de Matrizes Africanas, que nos articulamos para a criação e desenvolvimento de ações de valorização e empoderamento da Juventude de Terreiro na Região Metropolitana de Campinas. Nossa Missão é possibilitar ações de articulação e apropriação das tradições de Matrizes Africanas pela Juventude, inserindo-a nos espaços políticos com a finalidade de salvaguardar nossos Conhecimentos Ancestrais garantindo a continuidade destes saberes.

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Como chegamos até aqui?

Era outubro de 2013, quanto jongueiro, estava em visita na casa da Alessandra Ribeiro, minha liderança Jongueira, conversando sobre vários projetos e ideias, quando coloquei pra fora uma vontade que surgia de dentro de mim e disse “-Alê! Existem vários encontros de jovens católicos, evangélicos e eu nunca vi um nosso…O que você acha de  realizarmos um na Fazenda Roseira?”. Ela que sempre embarca em nossas loucuras, digo nossas porque varias ideias surgiram assim em nossa comunidade, prontamente disse “-Nossa Dé que legal! Vamos dar seguimento nisso”. A partir dai comecei uma saga incansável de entender a conjuntura, ver o que já havia acontecido, me apropriar do que a juventude das Comunidades Tradicionais de Matriz Africana pensavam sobre isso e claro que encontrei muitas coisas, muitos jovens discutindo, rolava uma articulação de encontro nacional, entrei em contato, falei, mas o que eu queria mesmo, era estar entre os meus e partimos pra produção.

Na primeira reunião era eu, Alê, Bianca, Lucas do Jongo e Pai João Galerani, nosso Pai Joãozinho, o qual eu mal conhecia, mas que veio com uma disponibilidade imensa em embarcar na ideia de fazer o encontro. Junto com pai Joãozinho estava Mãe Sheila e outros filhos que vieram para a construção. Posso parecer maluco, mas essa primeira reunião eu já senti que íamos caminhar e o primeiro encontro iria sair. Após essa reunião começamos a marcar semanalmente, mais religiosos vieram,  ajudaram a pensar, cozinhar, montar dinâmica, divulgar e a colocar a mão na massa, mal sabíamos, que esse coletivo viria ser o Saravaxé, coletivo de religiosos de Matriz Africana da região de Campinas, hoje um grande parceiro da juventude de terreiro. E como se cris um filho fomos pensando, na logomarca, que agregasse o candomblé, mas também a umbanda, em cada detalhe, no nome, pois regionalmente, entendemos que Juventude de terreiro contemplava mais do que Comunidades Tradicionais de matria Africana, pois apesar de ser um bom conceito, ainda não contemplava todos, assim escolhemos terreiro e nos dias 24,25 e 26 de janeiro de 2014 aconteceu o primeiro Encontro de Juventude de Terreiro da RMC.

Por ser o primeiro, ele foi inesquecível, com 80 jovens de 14 a 29 anos e monitores tivemos momentos em que percebemos realmente que eramos muitos, mas que ao mesmo tempo os nossos problemas eram semelhantes, vale ressaltar que para além da Região Metropolitana de Campinas tivemos da grande São paulo, diferentes cidades do estado, Rio de Janeiro, Minas e fora os que se inscreveram e que não conseguiram vir. Foi um momento para nos reconhecermos e entendermos que não estávamos sozinho.

No segundo Encontro, já com alguns encontros durante o ano e com um pequeno coletivo formado e com maior consciência da conjuntura nacional discutimos o nosso direito a tradição, foi uma discussão mais densa politicamente, mas necessária pra entendermos tudo que nos cerca. Aconteceu nos dias 23, 24 e 25 de janeiro de 2015, com a presença de 120 jovens com mais cidades como Londrina, e até um irmão do Togo na Africa. O diferencial do segundo foi que aumentamos a idade dos participantes e ampliamos para 35 anos e isso foi uma intensa reflexão, pois no primeiros os monitores tinham essa idade, respeitamos a legislação da juventude até os 29 anos, mas o jovem de terreiro é um jovem com responsabilidades precoce, temos jovens com 13 anos com cargos importantíssimos dentro das casas, para além disso, o nunca ter tido um encontro na nossa região, fez com que os monitores partici

passem tanto quanto os jovens nos fazendo repensar a questão da idade. Colocado isso, decidimos que ampliaríamos para 35 anos a idade dos participantes e foi muito positiva.

E nos dias 22, 23 e 24 de Janeiro de 2016 realizamos o nosso terceiro Encontro e foi tão especial quantos os outros. Veja o relato em Celebrando o III Encontro da Juventude de Terreiro RMC e Adjacências.

Para além da RMC…
Com o sucesso do primeiro encontro, conseguimos acessar algumas articulações nacionais, não sei se lembrarei de todas, mas vou elencá-las aqui para vocês:

2014 Curto Circuito Juventude em Brasília
Dias 11,12 e 13 de abril, reuniram jovens de vários lugares do Brasil e em uma reunião com a Fundação Palmares começamos traçar uma articulação nacional da Juventude dos Povos e Comunidades Tradicionais. Na ocasião pedimos nossa participação na Teia da Diversidade em Natal para continuarmos as articulações.

2014 Teia Nacional da Diversidade em Natal
Do dia 19 ao 24 de maio ficamos na Tenda das Comunidades Tradicionais, lançamos o plano Cultura Viva da cultura Afro brasileira, participamos de roda de debates e juntamente com outros jovens fundamos oficialmente o Kizomba Nacional: Articulação pela vida das juventudes dos povos tradicionais de matriz africana e terreiro e ai se iniciou a construção do projeto nacional.

2014 dezembro reunião do Kizomba com o Governo Federal: Após meses construindo o projeto em plataforma virtual, com jovens de vários estado do pais, tivemos uma primeira reunião com a Secretaria Nacional da Juventude(SNJ), Ministério do Desenvolvimento Agrário(MDA), Fundação Cultural Palmares, Secretaria de Políticas de promoção da Igualdade Racial (SEPPIR)e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(IPHAN), onde apresentamos o projeto construído para execução.

2015 maio I Encontro Juventude de Povos Tradicionais de Matriz Africana de Embu das Artes
Ação que resultou numa boa articulação para a participação da juventude na aprovação do Plano Municipal de Educação de Embu das Artes: implantação de uma escola aos moldes de matriz africana, mestres e mestras da tradição irão formar os professores para aplicação da Lei 10639, enquanto isso os mestres e mestras que irão lecionar as aulas, criação do centro de estudo Brasil Africa

2015 junho I Encontro Juventude de Povos Tradicionais de Matriz Africana de Guarulhos
Foi um dia de encontro, mas pautamos a necessidade do jovem contar a sua própria história o que gerou na criação do curso de turismo para a juventude de Comunidades Tradicionais.

2015 agosto I Encontro Juventude dos Povos Tradicionais de Matriz Africana de Araçatuba
Foi um momento de fortalecimento do escambo entre os mais velhos e mais novos e diretrizes para novos caminhos.

2015 setembro Oficina preparatória para Etapa de Povos e Comunidades Tradicionais da Conferencia Nacional de Juventude
Participação do  Kizomba na oficina da Conferencia de Juventude para povos e comunidades tradicionais onde conseguimos indicar 2 jovens para a conferencia nacional.

2015 outubro Participação no I Encontro de Juventude de matriz Africana da Região metropolitana de BH

Fizemos presença e uma fala de apoio a organização

2015 dezembro Emergências RJ
Vivência no Quilombo localizado em Jacarepaguá, que descobriram ha pouco tempo que na frente da igreja era o cemitério de escravos.  Participamos da roda de conversa com o vice secretário de segurança pública do estado do RJ e com a secretária de direitos humanos e tivemos uma vivência no Jongo da Serrinha com a tia Maria do Jongo e jovens de vários estados e mestres e mestras da tradição.

2015 dezembro Etapa Nacional da juventude dos Povos e Comunidades Tradicionais e 3ª Conferencia Nacional de Juventude
Articulamos delegados, la nos unimos com os demais irmãos dos Povos e Comunidades Tradicionais e entre as 3 metas aprovadas a 2 foi da pauta de comunidades tradicionais foi uma grande vitória.

Quando eu falo do André que pensou tudo isso no inicio, eu digo que jamais imaginaria que fosse surgir tantas demandas, nunca pensei também que de Campinas pudesse contribuir para uma construção nacional e as vezes sinto o tamanho da responsabilidade que é tudo isso, das varias noites a dentro conversando com irmãos em cada ponto desse pais, ajudando e sendo ajudado. A duras penas, entendi que isso era missão e que hoje é algo de grande importância para mim, pois pensar em juventude é garantir com muita resistência a nossa liberdade de tradição, um presente que nossa ancestralidade nos deu.
Como coletivo da Juventude de Terreiro RMC, desde o primeiro encontro, pensamos em cada detalhe, com muito carinho e para toda juventude. Erramos algumas vezes, acertamos outras, mas sempre construindo.

Por André Moraes

Jovem de Terreiro, Articulador do Coletivo da Juventude de Terreiro RMC, Membro do Kizomba Nacional, Jornalista, Ator, Jongueiro

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https://juventudedeterreirormc.wordpress.com/

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